Archive for the 'Matrimônio' Category

Socorro! Queremos um Filho!

Encontrei o texto que vai abaixo no site da Comunidade Católica Shalom.

Devemos amar os filhos que vierem, se vierem, como vierem, e não nos deixar contaminar por essa mentalidade utilitarista de nossos tempos, onde uma pessoa só vale pelo que é capaz de fazer/produzir. Devemos ama-los como eles são, por eles mesmos, assim como Deus, que é Pai, nos ama!

Não farei mais comentários. O texto fala por si. Que Deus os abençoe!

Socorro! Queremos um Filho!

Por favor, socorra-me! Há algo estranho acontecendo comigo e com meu marido: queremos um filho! Sei que não é nada comum alguém querer um filho hoje em dia, por isso estou pedindo socorro. Ocorre que queremos um filho. Queremos dar a vida, dar à luz, pôr no mundo, como você quiser chamar, mas queremos um filho.

O mais espantoso é que queremos um filho não para nós mesmos, nem para nossa realização nem para nos sentirmos bem ou curtirmos a experiência de sermos pais. Queremos um filho por ele mesmo! Não é incrível?!? Não o queremos para ter uma experiência gratificante. Queremos um filho como uma pessoa única, por quem ele é, seja ele como for.

Não me entendo, devo estar ficando maluca, mas queremos um filho seja ele feio ou bonito, inteligente ou burro, alto ou baixo, verde, azul, marrom, branco, vermelho, amarelo, não importa. Queremos por ele mesmo, não por nós, entende? Isso me deixa preocupada. Sou diferente de todas. Acho que influenciei meu marido. Por favor, ajude-me!

A coisa é tão grave, que queremos um filho mesmo que seja anencéfalo, mesmo que seja fruto de um estupro, mesmo que seja Down, mesmo que não ouça, não veja, não ande, não fale… Sim, sei que é grave, mas queremos um filho por ele mesmo!!!

Do mais profundo de nós mesmos, sobe um grito: queremos um filho para amá-lo, para nos entregarmos a ele, para servi-lo em sua dependência e fragilidade, em sua vulnerabilidade inicial. Queremos, em Deus, dar a vida para que ele tenha vida, você entende? Sei que é insano, mas queremos seguir seu crescimento, seu desenvolvimento vida afora, queremos gerá-lo para Deus e para a humanidade, ainda que isso nos custe a saúde, a beleza, a vida. Estranho, mas queremos um filho não por nós, mas por ele mesmo, não para nosso prazer, mas para que ele seja quem Deus quer que ele seja e queremos colaborar para isso com todas as nossas forças, em meio a alegrias e dores.

Está vendo como é grave? A imagem de Deus segundo a qual fomos criados nos empurra a fazer a oferta de nós mesmos a um filho, me empurra a ser mãe de um filho por ele mesmo. É mais forte do que eu! Ajude-me, o que faço?

Não sei explicar direito, mas é como se a fecundidade que Deus pôs em nós fosse mais que biológica, semelhante à dos animais. É como se fosse… deixe-me ver… ahn… uma participação do poder criador de Deus que é Pai e não somente continuador… preservador de espécie, entende? Que horror! Estou tão doente que só de falar em ter filho para preservar a espécie, para continuar a família, me sinto mal! Ajude-me! Sou chamada a ser mãe como Deus é Pai e não como uma gata é mãe! É grave, já lhe disse! Não me negue sua ajuda!

Para agravar mais ainda meu caso, queremos um filho de nossas entranhas, gerado em um ato conjugal, um belo presente-surpresa de Deus que não só participa, mas governa nosso matrimônio! É, ainda tem essa: meu marido e eu casamos virgens. Sou casada sempre com o mesmo homem, e casada na Igreja, como se diz.

Por favor, não se espante demais! Tenho medo de que me abandone, de que desista de me ajudar, mas preciso ser verdadeira: minhas entranhas são raham, como dizem os hebreus. São entranhas para dar a vida… Não me olhe assim, por favor. Acho que errei quando mencionei os hebreus, mas é que eles são meus irmãos mais velhos… Perdão se tenho que mencionar João Paulo II, sei que lhe desagrado. Posso continuar?

Queremos um filho que não seja programado em um consultório médico. Queremos um filho home made, que não seja manipulado em laboratório. Não queremos escolher a cor de seus olhos, de sua pele, de seus cabelinhos. Não queremos programar ou aprimorar seu DNA, queremo-lo como Deus o quiser, queremos estender as mãos para o céu e recebê-lo como um presente de Deus colocado por meu marido em minhas entranhas. As entranhas raham têm de participar, entende?

Perdoe-me. Sei que não estou sendo moderna, nem emancipada, nem dona do meu próprio filho, como se faz hoje em dia. Sei que estou fora da mentalidade e fora da lei. É exatamente por isso que peço ajuda. Estou diferente demais dos outros. Devo estar doente.

Não tomo anticoncepcionais, não uso DIU, não aplico compressas hormonais, não fico como histérica preocupada a contar dias para lá e para cá, meu marido não usa preservativos. Sei que é extraordinário, mas queremos um filho que venha como fruto de sabermos que nossa fecundidade humana é apenas parcial e que a verdadeira fecundidade vem de Deus e não queremos inverter isso. Deus vem primeiro com relação ao meu filho. Eu até já digo a Ele que é o nosso filho. Não é de preocupar? Queremos um filho que não nasça da vontade da carne, que controla tudo, que pretende ter nas mãos as rédeas da criação. Queremos um filho que nasça do Espírito e no Espírito seja educado para Deus.

Será que estou com aquela doença de quem tem mania de ser Deus? Porque, na verdade, queremos um filho por ele mesmo porque, como disse João Paulo II … ops, desculpe! Mencionei outra vez… Bem, como ele disse, Deus nos quis por nós mesmos, únicos aos seus olhos, dons Dele dados ao mundo pela mediação das leis biológicas e desejo dos nossos pais. Como é mesmo o nome desta enfermidade na qual a pessoa pensa que é Deus ou um santo qualquer? Será que é ela que nos aflige, que nos faz tão diferentes das outras pessoas?

Ocorre que queremos entrar na alegria e experimentar o riso de Sara, participando da alegria de Deus ao acolher um filho por ele mesmo, sabendo que todas as criaturas de Deus são boas, como diz Timóteo. Queremos um filho para viver com ele a experiência da fecundidade que transcende a fecundidade biológica. Queremos um filho para nos darmos a ele e para recebê-lo gratuitamente e, juntos a ele, ordenarmos nossa vida para o amor.

Queremos um filho para criá-lo juntos, na mesma casa, sob o mesmo teto, sob as mesmas alegrias e dores, com um monte de outros irmãos. (É isso mesmo, esqueci de mencionar que, para tornar meu estado ainda pior, queremos muitos, muitos filhos). Não queremos uma “produção independente” ou um fruto de “gravidez assistida”. Não o queremos para entregar para que outros criem. Queremos criá-lo! Queremos vê-lo tornar-se santo e dar a nossa vida para que isso realmente aconteça! Oh meu Deus, devo estar maluca!

Você vê a que ponto cheguei? Vê a que ponto me tornei esdrúxula com relação às outras mulheres? Vê o perigo que corro de não ser aceita, de não ser compreendida, de não ser considerada normal?

Você percebe a que ponto influenciei o meu marido a pensar como eu? Percebe como sou um perigo para a sociedade, para o progresso da ciência e para a saúde financeira dos laboratórios, clínicas de fertilização e hospitais? Vê como sou uma ameaça à eugenia disfarçada que estamos a praticar? Vê como sou perigosa para algumas idéias nazistas que se vêm espalhando sorrateiramente? Percebe como me tornei fora da lei do nosso país que, na prática, permite o aborto sob vários disfarces? Entende como sou um perigo para a modernidade relativista, hedonista, individualista? Então, você tem ou não como ajudar-me a não ser tão perigosa?

Você me acusa de irônica, de desrespeitosa, de insolente… seu olhar enche-se de ódio… Ei! … O que está fazendo? Por que esta seringa? Por que este vidro de veneno? … Vai injetá-lo em mim!… É a solução que encontrou?!? Sim, entendo. É preciso matar-me para eu não atrapalhar, não ameaçar, não estragar tudo planejado e gotejado nas consciências há tantas décadas. Sei que não tenho como correr daqui. As portas estão fechadas. Não há janelas. Só você, grande e forte, com a seringa mortífera na mão, nesta sala minúscula.

Você me segura com muita força. Estou imóvel. Sei que você vai me matar. Esta é a solução encontrada: matar. Matar sempre, matar de várias formas, matar sob vários disfarces. Sei que vai me matar. Deus perdoe. Mas, preciso dizer-lhe, esta doença que trago é tão perigosa, é tão poderosa que, quando se mata um portador, ela se espalha, misteriosamente, em milhares de outros. É o vírus que inocula os que se sabem amados por Deus. É bom você catalogá-lo e especificar sua ação antes de acabar comigo, pois não há como constatar sua presença através de exames. Guarde bem o nome em sua memória e digite-o assim que meu corpo cair sem o que você chama de vida. É o perigoso vírus do martírio.

Maria Emmir Oquendo Nogueira

Artigo baseado em texto de Georgette Blaquière
Em “Femmes sélon le Coeur de Dieu”, ed. Fayard

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O que Deus Uniu

O artigo abaixo está disponível no site Pró Vida de Anápolis, e é um lindo texto. Foi escrito pelos pais do Padre Lodi, um pouco antes de um deles ir morar com o Senhor…
Rezemos para que cada vez mais famílias possam perseverar e seguir a ordem de Cristo: “… não separe o homem o que Deus uniu.” (Mt 19,6).

O que Deus uniu
(artigo escrito por meus pais, poucos dias antes de falecer um deles)

O artigo a seguir foi escrito por meus pais no dia 5 de junho de 2003, a pedido da Paróquia São Sebastião, Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Seria publicado (e foi) na edição de julho/agosto do jornal paroquial “Dei Verbum”, numa página intitulada “Testemunhos de Fé”. No entanto, poucos dias depois, em 17 de junho, meu pai morreria subitamente, vítima de “insuficiência respiratória aguda, edema agudo pulmonar e insuficiência coronária”. Os paroquianos só leriam a matéria depois que meu pai tivesse partido. Na verdade, a versão impressa foi mais condensada, devido à falta de espaço. O que segue é a versão completa.

Parece que foi ontem e, no entanto, já faz 40 anos. Sim, 40 anos de casados. Já? Ficamos admirados, mas olhando o rosto um do outro somos obrigados a admitir: É verdade, o tempo passou… Mas como aconteceu e não percebemos? Deve ser porque envelhecemos juntos e por isso, nem notamos.
Estávamos tão ocupados um com o outro e com tantas coisas: o trabalho, a educação dos filhos e depois os netos. Tantas horas alegres e tantas tristes. Depressão, doença da moda, nem pensar… Não havia tempo. E de repente, idosos! O que acontece que não ficamos tristes? É que o tempo não levou consigo só coisas boas, como beleza e juventude, mas, sobretudo levou as horas difíceis. E lembrando delas, que afinal não foram poucas, somos tentados a perguntar: Como conseguimos? Ora, bem sabemos a resposta: É porque ficamos juntos.
Sozinho, nenhum de nós teria conseguido. Mas com a graça de Deus, por quem juramos um dia no altar “na alegria e na tristeza”, perseveramos.
Tudo isso é muito bonito, mas a verdade é que tiveram sorte, dizem alguns. — É porque deram certo, dizem outros. Não enfrentaram certas crises… e, o mais interessante que dizem: é porque se amavam. Queria ver se o amor tivesse acabado — (Como se isso fosse mágica).
Ora, temos vontade de gritar para que nos ouçam: A ordem destas coisas não é esta! Demos certo porque ficamos juntos! Enfrentamos crises que só Deus conhece, mas vencemos, porque a despeito de tudo, continuamos juntos. E o melhor: amamos-nos sim, porque teimamos e mesmo nos momentos de aridez, permanecemos juntos! Afinal, não se atira fora uma planta valiosa porque perdeu o viço. Ao contrário, a tratamos com mais carinho.
As perguntas, no entanto, continuam: Como foi possível? Confiando naquele que disse: O que Deus uniu, o homem não separe. Confiando na graça do sacramento do matrimônio, que aprendemos a evocar e sempre veio em nosso socorro. Confiando que Deus, depois da tempestade, dá a bonança. Confiando na intercessão poderosa de Nossa Senhora das Bodas de Cana — Não sabemos se este título existe, ou fomos nós que inventamos — que apressou seu Filho a fazer o primeiro milagre para socorrer um casal em apuros. Confiando e rezando, pois nunca deixamos de rezar o terço.
Hoje, em meio à desolação estampada nos rostos dos que se separaram, na busca inútil da felicidade, fora do lugar em que Deus a havia colocado, nós dois, com o alívio de quem escapou de cair num grande abismo, elevamos nossas mãos a Deus para agradecer tudo o que de melhor possuímos: Um ao outro! Também para pedir:
Senhor, permite que ainda fiquemos algum tempo juntos, mas quando chamares um de nós, que o outro possa ir correndo atrás, como sempre fizemos quando nos separamos.
Carlos Alves da Cruz e Maria Teresa Lodi da Cruz
(Dei Verbum. Boletim da Paróquia São Sebastião. Rio de Janeiro. Ano 4, n.º 28, jul./ago. 2003. p. 3)

Cântico de Núpcias

Finalmente tomei coragem, e criei um blog, que dedico a minha amada esposa, Ana. Que Deus a abençoe sempre.

Bom, esta é minha postagem inicial… E inicio com com este poema de Dom Marcos Barbosa (que encontrei no Palavras Apenas), que é tão lindo quanto deveria ser qualquer Matrimônio…

CÂNTICO DE NÚPCIAS

Nossos caminhos são agora um só caminho,
nossas almas, uma só alma.
Cantarão para nós os mesmos pássaros,
e os mesmos anjos desdobrarão sobre nós
as invisíveis asas.
Temos agora por espelho os nossos olhos;
o teu riso dirá a minha alegria,
e o teu pranto, a minha tristeza.
Se eu fechar os olhos, tu estarás presente;
se eu adormecer, serás o meu sonho;
e serás, ao despertar, o sol que desponta.
Nossos mapas serão iguais,
e traçaremos juntos os mesmos roteiros
que conduzam às fontes escondidas
e aos tesouros ocultos.
Na mesma página do Evangelho encontraremos o Cristo,
partiremos na ceia o mesmo pão;
meus amigos serão os teus amigos,
perdoaremos com iguais palavras
aqueles que nos invejam.
Será nossa leitura à luz da mesma lâmpada,
aqueceremos as mãos ao mesmo fogo
e veremos em silêncio desabrochar no jardim
a primeira rosa da Primavera.
Iremos depois nos descobrindo nos filhos que crescem,
e não mais saberemos distinguir em cada um
os meus traços e os teus,
o meu e o teu gesto,
e então nos tornaremos parecidos.
E nem o mundo nem a guerra nem a morte,
nada mais poderá separar-nos,
pois seremos mais que nunca,
em cada filho,
uma só carne
e um só coração.
Que o homem não separe o que Deus uniu.
Que o tempo não destrua a aliança que nos prende,
nem os amores, o amor.
Que eu não tenha outro repouso que o teu peito,
outro amparo que a tua mão,
outro alimento que o teu sorriso.
E, quando eu fechar os olhos para a grande noite,
sejam tuas as mãos que hão de fechá-los.
E, quando os abrir para a visão de Deus,
possa contemplar-te como o caminho
que me levou, dia após dia,
à fonte de todo amor.
Nossos caminhos são agora um só caminho,
nossas almas, uma só alma.
Já não preciso estender a mão para alcançar-te,
já não precisas falar para que eu te escute…
(Dom Marcos Barbosa)